A
temporada de cruzeiros marítimos só acontece no verão, mas o período de
contratações está a pleno vapor. Já foram contratados 3.383 brasileiros
para os 17 navios que cruzarão as baías do País a partir de outubro.
Por enquanto, o número é 10,4% menor em relação a 2010, quando havia
5.603 representantes do País em atuação, mas segundo a Associação
Brasileira de Cruzeiros Marítimos, esse contingente tende a crescer.
Isso porque a legislação do País determina
que existam pelo menos 25% de conterrâneos contratados. No total, já
estão empregados 13.524 tripulantes. A empresa Infinity Brazil é uma das
que ainda mantêm canal para contratar novos funcionários. Para isso,
basta se cadastrar no www.infinitybrazil.com.br. São oferecidas 500 vagas.
O gerente de recrutamento da Infinity,
Marcelo Del Bel, afirma que nesta época do ano a demanda por vagas para
brasileiros aumenta, sobretudo por conta da lei. "É a melhor hora para
buscar uma vaga no mercado de navios de cruzeiro", ressalta o gestor.
Os profissionais mais requisitados
são aqueles para trabalhar no restaurante, bar, cozinha e spa. Para
essas funções, exige-se que o candidato tenha inglês ao menos em nível
intermediário, além de experiência na área. Também estão em seleção
pessoas para o departamento de vendas, fotos, recepção e entretenimento, mas nesses casos requer inglês avançado e também experiência no setor.
Os salários têm forte variação, mas um bartender chega a ganhar R$ 4.000, enquanto as funções de vendedor, barboy e assistente de garçom têm remuneração mínima de R$ 1.000.
PASSAGEIROS -
O executivo da Costa Cruzeiros, René Hermann, afirma que o País é um
dos maiores mercados emissores do setor no mundo. Na última temporada
pela costa brasileira foram transportados 792.752 passageiros, sendo
apenas 99.029 deles estrangeiros. "É um mercado em ascensão, que gera
empregos e movimenta a economia", pondera. É a primeira vez que a
empresa aporta em águas do Brasil, tendo como foco para esta temporada o
Nordeste.
A operadora de viagens andreense CVC
também está atenta para a venda de pacotes para este fim de ano. O
gerente regional de vendas Richard Andreazza afirma que o Grande ABC tem
público misto: desde os que nunca viajaram de navio, e que preferem
roteiros mais curtos - os chamados minicruzeiros - até os que costumam
fazer passeios longos com mais frequência.
A expectativa do gestor é que o incremento
no número de passageiros embarcados pela operadora em navios seja de
20%, contra os 180 mil transportados na temporada passada. "Teremos 11
navios e pacotes para atender diversos tipos de público", diz Andreazza
Setor proporciona economia e viagens a outros países
A vida no cruzeiro marítimo é para quem quer
economizar. Além disso, a possibilidade de conhecer vários países é um
dos motivadores para quem se propõe a passar vários meses a bordo de um
navio. O ex-tripulante e agora professor de uma empresa que prepara
profissionais do ramo Rodrigo Sales se encaixa nesse perfil.
"Sempre conto aos meus alunos que a
maior vantagem é poder contar histórias que antes eu talvez nunca
pudesse contar. Com apenas 21 anos, há três anos, conheci 16 países", comemora Sales. Entre os locais estão Caribe, Canadá, Bermudas, Ilhas Virgens.
Ele conta que o salário - de US$ 1.000 -
chegava facilmente aos US$ 1.300 todos os meses: isso porque as
caixinhas dos clientes são recorrentes. A vantagem é que esse dinheiro
pode ser depositado, gerando lucros, já que não há despesas com
alimentação e hospedagem. "Ainda é possível comprar equipamentos de
última geração como laptops mais baratos nos Estados Unidos", lembra.
Apesar de descartar que os lados negativos
sejam maiores que os positivos, eles existem: a distância da família,
amigos e relacionamentos amorosos são empecilhos. "Quando eu namorava
isso atrapalhou, mas com certeza teria me arrependido se tivesse deixado
de viajar para ficar com a namorada", afirma.