Após crescer 20% ao ano nos últimos dez anos e alcançar um patamar de
800 mil turistas embarcados, o ritmo de expansão dos cruzeiros
marítimos no país vai sofrer uma brusca desaceleração na temporada
2011/2012. A estimativa de expansão na oferta de leitos é de apenas
1,6%, já que a projeção alcança 899,6 mil ante 884,9 mil leitos.
O
principal motivo são as deficiências de infraestrutura nos portos
brasileiros, que não têm mais espaço para receber navios de grande
porte. Diante desse cenário, pela primeira vez uma temporada terá menos
navios que a anterior. Serão três embarcações a menos, ou 17 contra 20.
Executivos
do setor contam que a tendência, se a infraestrutura portuária
permanecer a mesma, é a de o setor reacomodar o seu tamanho, pois ele
pode ter crescido mais do que a capacidade dos portos comporta.
"O
crescimento do setor vai refrear. Não há investimento nos portos. O
sistema está no limite", diz o presidente da Associação Brasileira de
Cruzeiros Marítimos (Abremar), Ricardo Amaral, também diretor-geral da
Royal Caribbean no país.
A Secretaria Especial de Portos informou
que está atenta ao crescimento da demanda marítima. "A Secretaria de
Portos (SEP) está construindo 6 terminais para a Copa do Mundo, com
investimentos da ordem de R$ 740 milhões. Vamos licitar em breve todos
os projetos e todas as obras estarão concluídas até 2013".
A
italiana MSC Cruzeiros vai amargar uma queda de 34% na oferta de leitos
nesta temporada e no faturamento, não divulgado. O diretor comercial e
de marketing da empresa no Brasil, Adrian Ursilli, diz que vai trazer um
navio a menos, uma redução de 70 mil leitos que serão realocados para
os Emirados Árabes.
"Ano passado transportamos 300 mil turistas
na América do Sul, sendo 250 mil no Brasil. Nesta temporada serão 200
mil pessoas", estima o executivo. De acordo com ele, a MSC, a Abremar e o
Ministério do Turismo têm trabalhado junto a órgãos públicos para
buscar uma solução para os gargalos portuários.
A americana Royal
Caribbean também trará um navio a menos nesta temporada. Serão duas
embarcações, mas a empresa está estimando um crescimento de cerca de 30%
no volume de turistas porque ampliou em 20 dias a navegação dos dois
navios, com consequente crescimento do número de cruzeiros. Serão 51
ante 44 da temporada passada.
"Com menos oferta, há uma tendência
natural dos preços dos cruzeiros subirem, ainda mais se a compra for
feita em cima da hora", afirma Amaral, diretor da empresa no Brasil,
estimando que os preços podem ficar até 20% mais caros.
Amaral
cita uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrando
que 70% das pessoas que compram cruzeiros são "marinheiros de primeira
viagem". De acordo com ele, esses turistas tem sido atraídos com a ajuda
dos chamados cruzeiros temáticos.
São viagens com cantores,
apresentadores de TV, de times de futebol e até de estilos de música,
como o heavy metal. Amaral estima que do total de cruzeiros numa
temporada, entre 10% e 20% são temáticos. Na temporada 2011/2012 estão
previstos 386 cruzeiros diferentes.
A temporada 2010/2011,
segundo o estudo da FGV, gerou um impacto econômico de R$ 1,3 bilhão.
Estão incluídos neste total o movimento de R$ 522,5 milhões de turistas e
tripulantes mais R$ 791,6 milhões de gastos dos armadores.
O
Porto de Santos, um dos mais utilizados pelas empresas de cruzeiros, só
pode receber atualmente um navio por vez no terminal destinado a
passageiros. A Companhia Docas do Estado de São Paulo informou, porém,
que há um plano de expansão para a Copa do Mundo de 2014 que pretende
ampliar a capacidade de atracação simultânea para seis navios. O
empreendimento está orçado em R$ 325 milhões.
No Porto do Rio, o
terminal de passageiros pode receber atualmente sete navios ao mesmo
tempo. O plano de expansão, de R$ 314 milhões, prevê aumento de 73%
nesse espaço.
Fonte:Vaçor Econômico/Alberto Komatsu | De São Paulo
cópia: PortoseNavios