quarta-feira, 13 de julho de 2011

Rússia entra em luto por mortes do navio "Bulgária"


 
A Rússia está de luto pelas vítimas do naufrágio do navio "Bulgária" no rio Volga, como pode ser visto nesta terça-feira em todo o país, onde a bandeira nacional está a meio mastro e redes de rádio e televisão suspenderam programas de entretenimento. Até as 18h de Moscou (11h de Brasília), o número de corpos retirados pelos mergulhadores que trabalham nos resgates era de 89, informou o Ministério de Emergências.
Segundo os últimos dados divulgados pela pasta, a bordo do "Bulgária", que foi a pique no último domingo, havia 205 pessoas, das quais 80 foram resgatadas com vida, por isso o número de mortos pode chegar a 125.
Dezenas de familiares das vítimas deixaram flores nesta segunda-feira no lugar onde a embarcação afundou e no qual os serviços de resgate trabalham de forma intensa, de acordo com a agência de notícias russa "RIA Novosti".
A Polícia deteve hoje Svetlana Inyakina, diretora geral da Argorechtour, empresa que utilizava a embarcação - de propriedade da companhia Kama River - e também a sublocava, disse o porta-voz do Comitê de Instrução (CI) da Rússia, Vladimir Markin.
Também foi detida a chefe técnica do registro de embarcações fluviais da Kama River, Yakova Ivashova, que junto com Inyakina enfrenta a acusação de desrespeitar o protocolo de segurança de navegação do "Bulgária", afirmou Markin, citado pela agência "Interfax".
"Foi constatado que a Argorechtour não tinha contratos com a tripulação do navio, nem seguros. A companhia emprestava o serviço sem levar em conta a segurança para a vida e a saúde das pessoas", acrescentou.
Por sua vez, a Direção de Turismo da Rússia (Rosturizm) responsabilizou a Argorechtour pela tragédia do "Bulgária", ao indicar que a empresa não estava registrada como operadora de turismo, por isso não tinha direito de vender cruzeiros pelo rio Volga.
"Segundo a documentação que temos, a Argorechtour realizava as funções de operadora de forma ilegal", disse o vice-presidente da Rosturizm, Eugeni Pisarevski.
O Comitê de Instrução também abriu expediente penal contra os capitães dos dois navios que passaram junto ao "Bulgária" sem lhe prestar socorro, enquanto este afundava nas águas do Volga.
As duas embarcações, "Arbat" e "Dunaiski-66", tinham a obrigação de tomar todas as medidas possíveis para ajudar o "Bulgária", explicou o diretor do porto de Kazan, Rashid Safin. Foi o que fez o "Arabella", que acompanhava o "Bulgária". Graças a ele, pôde ser resgatada a maioria dos sobreviventes.
"Se não fosse por essa embarcação, certamente não teria sobrevivido ninguém", disse Safin.
Por decreto do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, hoje é dia de luto nacional em memória das vítimas da tragédia no Volga.
Medvedev propôs aos líderes dos grupos parlamentares endurecer as leis e as punições que podem ser aplicadas aos responsáveis pelo transporte de passageiros. Atualmente, o artigo 270 do código penal russo prevê penas de até dois anos de prisão "por omissão de socorro à embarcação que sofre naufrágio".
"São necessárias duras medidas contra aqueles que violam as leis em matéria de transportes. Me refiro aos que outorgam licenças que autorizam a exploração de embarcações civis e, com certeza, àqueles que, com suas ações, põem em risco a vida das pessoas", disse Medvedev.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, por sua vez, anunciou que os sobreviventes e os familiares das vítimas do "Bulgária" receberão compensações de até 1 milhão de rublos (US$ 35 mil).
O naufrágio do "Bulgária", embracação construída na antiga Tchecoslováquia em 1955, foi o acidente fluvial mais grave ocorrido na Rússia nos últimos 30 anos.